Uma esperança vã….

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Nos anos 70 ( nao sei se ainda existem ) havia salas de cinema em Manhattan que passavam – non stop/24h – filmes porno. Os espectadores entravam e saiam a qualquer momento, porque , as estorias, mesmo mudando eventualmente de local , tinham sempre a mesma “trama” e as cenas repetiam-se, ate´ na sequencia. Era por isso irrelevante se começavam a ver o filme, desde o inicio , a meio, ou no fim . Nao passava pela cabeça de ninguem, que, ao ver o filme “ao contrario” ia perder a “excitaçao” de um desfecho inesperado. Toda a “excitaçao” era provocada , nao pelo desenrolar da estoria, mas por cada cena ( que tambem todos antecipavam ).

Depois da curiosidade inicial, estas salas de cinema entraram em decadencia e , se ainda existem, apenas conseguem sobreviver, graças a uma clientela dedicada, mas muito pequena.

Vem isto a proposito do “filme” que corre, já ha varios anos, no “Cine Europa” e que esta a beira de lhe acontecer o mesmo que aos cinemas porno dos anos 70. O script ja todos o conhecemos de cor. Pode-se entrar em qualquer momento porque rapidamente nos situamos na estoria. Ve-se de igual modo do fim para o principio, que nada se perde de excitante ou surpreendente. É certo que , quem estiver atento, se apercebe que, por vezes, vão aparecendo novos actores. Mas nem isso faz mudar nada relevante. As vedetas vao alternando as posiçoes ( uma vez a Alemanha fica por cima, outras fica a Grecia ) mas nada muda o desfecho final. Esse repete-se à exaustão e ja todos o conhecem de cor.

Por isso a sala do Cine Europa, esta cada vez mais vazia de espectadores interessados, E tal como aconteceu as salas de cinema porno dos anos 70, tambem o Cine Europa vai entrar em decadencia e provavelmente fechar.

Até la deixo-vos, mais uma vez cortesia do FT, uma parte do “Free Lunch” , a coluna de Martin Sandbu, com os links das contribuiçoes “emprestadas”.

“While we are waiting for a deal today that may keep the eurozone Punch and Judy show on the road for another few months, three readings stand out amid the morass of confusion passing for analysis. Karl Whelan, with his usual clarity, takes on the myth that the problem is the euro, and points out how we only got to this point because of the fatal decision not to let Athens default on its debts in 2010. The Economist takes an incisive look at the Greek pension system, portraying it in all its glorious absurdities while setting out how comprehensively those supposedly do-nothing Greek governments have already reformed it. And finally, Willem Buiter and Ebrahim Rahbari refute the common misperception that Greece needs more money from others to stay in the euro. They offer an alternative – leave Greece to do what it wants, do not lend it any extra money (but extend the immediately maturing loans) and engineer a radical restructuring of its banks – which is unpleasant but realistic and may well prove superior to whatever is or is not agreed today.”

O “filme” , esse podia chamar-se “kick the can”.

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